Me perdoe, minha flor, por eu querer-te sempre bem. É uma preocupação e uma vontade de te ver feliz que às vezes parece que, na verdade, eu te quero pra mim. Não é isso, juro que não é. Nossa história nunca deu certo. Ou deu e nem sabemos, enfim.
Quero que te cuide, que viva, que termine de viver o que começou comigo.
Esses dias eu estava lendo suas cartas (ainda tenho todas). Não vou falar que ri das coisas que li, não ri. Talvez eu estivesse bebado demais pra isso. Eu bebo pra esquecer, pra lembrar, pra viver mais.
Minha vida anda tão parada ultimamente... Sem novos amores, sem novas dores, sem novas aegrias ou, até mesmo, novos amigos. Talvez a coisa mais nova que eu tenha são as coisas não tão novas se tornando velhas. Pensei em criar uma coleção (além da coleção dos pedaços do meu coração) pra tentar me destrair um pouco. Ouvi dizer que ocupar-se com coisas não tão legais faz bem.
Eu discordo, se fosse assim o amor faria bem. Pois é, olha que coisa patética: eu, que tanto gosto de amar, falando que amor não é tão legal. Perdoe-me quem ama e quem acha isso maravilhoso, mas, na verdade, quando você sofre demais, deixa de ser legal. Amar é lindo, é gostoso, é realmente maravilhoso... Pena que machuca. Machuca quando é bom, quando é ruim.
Acredite meu amor, amar demais também machuca.